Então, belo texto pescado na net. É interessante por que fala bastante dos aspectos técnicos do bambu, e da maneira como o mesmo já vem sendo pesquisado e apontado como uma excelente alternativa à madeira a vários anos.
Belo, leve e renovável, o bambu tem tudo para se firmar como alternativa à madeira e contribuir para uma arquitetura mais sustentável. Há milênios, esse material dá forma a casas tradicionais em países como o Japão e a China. Em Campinas, alunos universitários, profissionais da área de arquitetura e artesãos se reúnem em grupo e juntam informações para disseminar essa prática milenar. Os encontros acontecem às sextas-feiras e aos sábados, no Quarentenário do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Lá, desde agosto, o grupo constrói um quiosque para aprender na prática o que os povos andinos (Colômbia, Peru e Equador) e os asiáticos (China, Japão e Índia) já sabiam. O projeto Arte, Arquitetura e Ambiente - A Casa da Floresta resume a intenção do professor e arquiteto Vicente Guilhermo Noriega Moreno, de 71 anos: “Na minha concepção, eu tenho que formar pessoas conscientes para promover igualdade. Tudo isso vai fazer sentido quando grandes áreas abrigarem as plantações e as crianças aprenderem sobre a necessidade desse plantio”. A opção pelo bambu é um trabalho de ordem social e de respeito ao meio ambiente, que pode oferecer condições sustentáveis para o planeta. As espécies indicadas para a construção são o guadua, o gigante e o mossô (as varas sempre devem ter mais de 10cm de diâmetro). Das cerca de 1,3 mil espécies conhecidas, há pelo menos 400 no Brasil, conta o professor Guilhermo. Graças às pesquisas realizadas em universidades, arquitetos dos quatro cantos do mundo tem experimentado a planta como matéria-prima em seus projetos arquitetônicos. “O homem moderno esqueceu da sua relação com a natureza e por isso vive as consequências deste distanciamento”, enfatiza o professor ao pontuar os atuais problemas ambientais. Para se ter uma idéia, uma área de 50 metros quadrados de bambu é suficiente para erguer uma casa de 50 a 60 metros quadrados a um custo em torno de R$ 30 mil, dependendo do acabamento (nesse caso, foi considerado piso e telhado em cerâmica). “Uma obra para cem anos, garante o professor Lucas Otávio Rotta, de 52 anos, há 30 arquiteto e integrante do grupo de estudos e pesquisas sobre o bambu. CrescimentoEm Campinas, o plantio de bambu é feito no IAC. A planta tem crescimento rápido e o corte ocorre entre 3 a 5 anos. O eucalípto, por exemplo, leva 23 anos para chegar à fase madura e o pinheiro 21. Ideal para matas ciliares, “o bambu é o primeiro passo para construir florestas. Nasce tanto em terreno seco quanto úmido e é nativo da América do Sul (Colômbia, Peru e Equador)”, diz o professor Guilhermo. O bambu apresenta as vantagens: resistência física e mecânica (mais forte que o aço), beleza visual, a maior parte é uniforme, facilidade de manuseio e tratamento (fibras verticais enquanto na madeira são trançadas). Ainda, “o bambu é um ótimo seqüestrador de carbono”, ilustra o professor. O professor Guilhermo também integra uma empreitada pela paz, através de uma peça de teatro que junta alunos, professores, intelectuais e até um padre, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Crônicas dos tempos reencontrados” foi a maneira de despertar a paz através de um musical que inclui histórias da América do Sul, especialmente dos povos da Amazônia. Os ensaios acontecem há um ano, na universidade, e a pré-estréia será na Bolívia. “Tudo acontece na hora certa e junta as pessoas certas para divulgar uma mensagem. Estamos plantando conhecimento”, conclui o professor para enfatizar sua missão em contribuir através da pesquisa e das artes.
” SAIBA MAIS ”
O projeto Arte, Arquitetura e Ambiente - A Casa da Floresta teve início em agosto, no Quarentenário do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Um livro com o mesmo título foi escrito em conjunto com a bióloga Luiza Alonso da Silva (ainda não editado). O contato com o professor e arquiteto Guilhermo pode ser feito pelos telefones (19) 3287-8834 ou 9724-4316.
Vários países Moradias de bambu são mais comuns do que se imagina. A organização chinesa International Network for Bamboo and Rattan (Inbar) estima que mais de 1 bilhão de pessoas habitam construções desse tipo em todo o mundo. A maioria delas está em países em desenvolvimento, com técnicas tradicionais que começam a ser resgatadas. Nos últimos anos, pesquisas na construção civil comprovam a resistência e durabilidade do bambu. Arquitetos do mundo todo redescobrem e usam a planta em modernas obras públicas como uma promessa para este século. As espécies guadua (Guadua angustifolia), bambu-gigante (Dendrocalamus giganteus) e bambu-mossô (Phyllostachys pubescens) são as indicados para as construções. Todas são encontrados no Brasil, onde existem grandes florestas inexploradas. No Acre, por exemplo, os bambuzais cobrem 38% do Estado. De crescimento rápido (em três anos, está pronta para o corte), essa gramínea gigante chama a atenção, a princípio, pela beleza. Mas sua resistência também surpreende: de frágil, ela não tem nada. É mais resistente que o aço, diz o professor Vicente Guilhermo Noriega Moreno. Sua compressão, sua flexão e sua tração ja foram amplamente testadas e aprovadas em laboratório. Se tratado adequadamente, ele apresenta durabilidade equivalente a do eucalipto, por exemplo. Há necessidade de aplicações químicas para remover pragas como brocas e carunchos (cupins não se interessam pelo bambu). Pelo mundo, arquitetos apostam em projetos públicos e conciliam natureza e tecnologia. O resultado simplesmente encanta. Em Leipzig, na Alemanha, a fachada do novo estacionamento do zoológico municipal foi construída em 2004 com varas de bambu presas em cintas de aço. Perto de Madri, na Espanha, o Aeroporto Internacional de Barajas surpreende os usuários com seu enorme forro. A opção não teve nada de experimental. Ela foi baseada em pesquisas, depois da Expo 2000 em Hannover (Alemanha), onde o pavilhão colombiano empregou essa matéria-prima. “A Colômbia é o país com maior conhecimento dessa tecnologia”, diz Guilhermo. Na Espanha, pronto em 2006, o Terminal 4 do Aeroporto Internacional de Barajas, em Madri, tem movimento estimado em 35 milhões de pessoas por ano. Um dos destaques do projeto é a cobertura curvilínea de estrutura de aço e chapas de alumínio, forrada com bambu. A Colômbia e o Equador mantêm programas de habitações populares que privilegiam o bambu por causa do baixo custo. O arquiteto colombiano Simón Vélez, mundialmente conhecido pelo emprego do bambu em seus projetos, é pioneiro e grande divulgador da técnica. Ele costuma utilizar o material em obras de grande porte, como estruturas de telhados, pontes e catedrais, para demonstrar sua resistência e seu alto potencial construtivo. No Rio de Janeiro, há uma casa com cerca de mil varas de bambu-mossô (com 7,80 metros de altura) que compõem a estrutura e a cobertura. Especialista ajudou a criar curso na PUCO professor Vicente Guilhermo Noriega Moreno, como é conhecido, nasceu em Quito (Equador). Uma carta foi enviada ao Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro, e oito dias depois ele aportava no Brasil “graças a uma facilidade criada pelo então presidente Juscelino Kubitschek, através dos convênios com países latinos”, lembra. Era o início dos anos 60 e a capital, Brasília, surgia. Naquela época, lembra Guihermo, os estrangeiros se fixavam no bairro de Pinheiros, em São Paulo. “Havia um sentido de trabalho e estudo. O primeiro ano foi terrível, a adaptação e o isolamento foram as dificuldades maiores. Descobri a facilidade de desenhar e fazia os trabalhos para os amigos. Isso garantiu minha sobrevivência nos primeiros anos. Também tive ajuda do artesanato e do violão. Isso tudo me tirou do sufoco”, conta. No quarto ano de faculdade (arquitetura no Mackenzie), Guilhermo já tinha um escritório na Praça da República. “No meu íntimo, já intuia tudo isso. As dificuldades me impulsionaram. Ficar aqui foi uma missão”, acredita. Em 1965, com a faculdade concluída, Guilhermo volta para Quito e através das artes e da música acaba estabelecendo um intercâmbio de informações: “Estava ensinando e nem sabia”, observa. Foi uma bolsa de estudo, oferecida pela Aliança Francesa de Quito, que o manteve na França, no período de 1968 a 1973, quando concluiu dois mestrados: uma na área de urbanismo e outro sobre a fisiologia do trabalho. Depois, já no doutorado, Guilhermo estuda os impactos da exploração do petróleo na floresta equatoriana (a amazônica). Sua última contribuição em solo francês foi na delegação científica francesa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco): “Apareciam os primeiros sinais de alerta sobre os atuais problemas ambientais: a poluição dos mares e dos rios pelo uso de mercúrio na indústria da celulose”, conta. Guilhermo diz ter sido intimado a voltar para o Brasil, para garantia de permanência no País. Em 1974, já em solo brasileiro, ele participa da formação do primeiro curso de ergonomia (ciência que estuda o trabalho humano), no Instituto de Artes do Mackenzie. Aí começa a trajetória como professor titular nas áreas de urbanismo (planejamento urbano e plano diretor) e na educação ambiental. Nessa época, o professor ajuda a fundar o curso de arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e até 2001 foi professor titular na área de planejamento urbano. Na Unicamp, foi aluno regular na engenharia agrícola (de 1990 a 1995), aluno especial no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e atualmente é aluno especial nas Artes Plásticas. Em 92, pela PUC-Campinas, foi à Colômbia para o 1º Congresso Mundial de Bambu Guadua, que contrói cidades. luciene.dressano@rac.com.br
http://www.cosmo.com.br/institucionais/responsabilidade_ambiental/mostra_noticia.php?url=2697
boa tarde
ajuda: estou fazendo minha monografia
tema: barateamento do custo da construção de casas populares: uso de tecnologia alternativa com uso do bambu.
não estou conseguindo material, ccusto de m2 quadrado
tenho que fazer um questionario.
pode me ajudar
desde já agradeço
Lazaro, bom dia.
Antes de mais nada: bambu não é barato. Ainda é uma matéria prima (refiro-me as espécies mosso e gigante) não disponível em abundância, e sem maquinário para beneficiamento adequado.
Para maiores informações, eu te sugiro que entre em contato com a BambuSC, pois é uma ONG que em parceria com a UFSC tem realizado muitas pesquisas com o bambu.
Abraços
Bom dia,
gostaria de saber como encontro material e pessoas para fazerem um revestimento de um telhado de bambu;
obrigada
Márcia, não dispomos desta info, pois nosso negócio é o beneficiamento do bambu.
Sugiro o pessoal da BambuSC. Acho que eles podem lhe dar esta info.
Boa tarde, queria comprar bambu para fazer um cercado no quintal…
Será que vocês podem me ajudar? Não sei onde encontro…
Obrigada, Carol