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Segue abaixo texto sugerido pela Mª Luiza, nossa representante na região sudeste, publicado originalmente no Jornal do Brasil:

A procura por materiais resistentes e de baixo peso e a preocupação com a preservação da natureza está fazendo do bambu uma alternativa aos materiais convencionais usados na construção civil, na indústria de eletroeletrônicos e até na fabricação de bicicletas. Com resistência 17% superior à do aço, a planta asiática ainda tem a vantagem de não ser sujeita à corrosão ou ferrugem.

Um dos poucos núcleos de pesquisa que estuda as aplicações do bambu é o Departamento de Engenharia de Construção Civil da PUC-Rio, na Gávea. O professor iraniano Khosrow Ghavami vem estudando 12 das 1.200 espécies encontradas no mundo para avaliar seu potencial para a construção de prédios. Os primeiros testes revelaram que, além de mais resistente, o uso do bambu na fabricação de canos e tubos requer 50 vezes menos energia que a empregada na fabricação de tubos de aço de iguais proporções.

Outra vantagem do bambu é que ele é renovável, ao contrário do ferro. Enquanto o metal leva milhões de anos para se formar e poder ser extraído, o bambu só precisa de três anos para atingir a maturidade. ”O bambu é uma gramínea que cresce por cerca de dois meses. Após esse período, quando está com aproximadamente 30 metros de altura, ele pára de crescer e dá início ao processo de amadurecimento. Aos três anos, atinge a resistência máxima. É a idade ideal para ser colhido”, diz Ghavami.

A resistência do bambu deve-se ao arranjo de suas fibras. ”Elas são alinhadas e fortemente unidas umas às outras no sentido longitudinal”, explica Flávio Deslandes, ex-aluno da PUC-Rio e idealizador das bicicletas feitas de bambu, as bambucicletas. O veículo é sucesso na Dinamarca, onde Flávio mora. Com apenas 10 quilos, a bambucicleta é mais leve que a convencional, mas consegue suportar uma pessoa sem problema.

Flávio optou por uma espécie nativa do Brasil, a Philostaquis aurea, muito usada na confecção de varas de pesca. Na bambucicleta apenas rodas, selim, correntes e roldanas não são feitos de bambu. ”Venho trabalhando para aumentar a participação da gramínea na estrutura da bambucicleta e procuro utilizá-lo sempre na forma natural”, diz.

Dois são os obstáculos para a popularização da bambucicleta: a flexibilidade do bambu e o preço. ”Fazer conexões para ligar dois pedaços sem danificar é o grande desafio”, diz Flávio.

Fonte: Jornal do Brasil

Link: http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/ciencia/2001/02/25/jorcie20010225003.html

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